domingo, 3 de abril de 2011

"das coisas que nem Freud explica"

Acho que cresci uns 10 anos nos últimos 4 meses. Atravessei o ano novo, fiz 28 anos e depositei nesses acontecimentos clichês todas as mudanças da minha vida; inutilmente, é claro! Pois sabemos que essa lenga lenga de "fechar ciclos", "passagem do ano", "aniversário", "troca de emprego/parceiro" que nos empolga a "mudar", é no fundo pura balela, para justificar a fraqueza encrustrada em nós mesmos de causar mudanças bruscas, repentinas, independente de tudo e de todos.

Após minha "relação" passada, entrei em crise profunda comigo mesma. Pedi demissão do emprego mais ou menos que me sufocava, quase fui morar em Londres(ainda quero ir um dia...rs), senti dores absurdas no lado esquerdo do peito, ganhei uma gastrite nervosa, minha imunidade foi pro chinelo, chorei litros por noites, semanas e horas! deletei emails, fotos, escrevi 42 cartas declarando tudo e guardei em uma caixa, e claro, nunca as enviei; saí com outros, e continuaram a ser "outros". Engordei e emagreci, me fiz de coitada, me fiz de melhor amiga, cometi falhas e falhas, fiz tudo que NÃO se deve fazer...Porque é assim que as pessoas reagem por terem colocado no outro, todo o amor que deveriam sentir por elas mesmas. Um dia, consegui tomar uma decisão; disse que não podíamos ser amigos. Queria me afastar completamente por assim acreditar que seria mais fácil. e foi! 

Totalmente voltada para as minhas descobertas interiores, eu seguia  dando cutucões nas feridas e nem esperava parar de sangrar, seguia estacando e estacando. Tenho muito disso e, é terrível! Quero sempre sentir as dores do mundo da maneira mais profunda, e só depois tentar compreender como é possível sair de todas elas com apenas cicatrizes marcando a pele, e por dentro como um feto de 12 semanas.


Agarrei-me a solidão e exclusão; Li livros e mais livros de auto-ajuda e também de filosofia.  confesso que a leitura me abriu um mundo novo; busquei ajuda espiritual também, mas, de fato foi tudo na marra. Deus provavelmente já havia decorado meu discurso. Por várias vezes quase entrei no quarto dos meus pais de madrugada querendo chorar e ganhar um colo, como se tivesse 3 anos, e uma viagem pra Disney fosse resolver aquela coisa oca que sentia em mim.  queria desabafar c/ amigos, mas não queria opiniões, .segui sozinha, encarando os medos, defeitos, os erros, as lembranças que atormentam e tudo mais.

No meu quarto, dormia um fantasma! Nas paredes refletiam as cenas que tinha vivido e tinham transformado minha vida em algo surreal, lindo e cheio de paz... pois era assim que me sentia na relação. Ouvia as risadas dele, sentia cheiros, e apesar de parecer uma tremenda loucura psicopata sentimental, e ao mesmo tempo, parecer que eu estava tratrando de uma pessoa falecida... eu pergunto: quem nunca sentiu isso? Tudo era muito consciente pra mim, estava dentro daquilo por livre e espontanea vontade e mesmo me ferindo, era suportável, porque não havia deixado apenas coisas ruins; porque o fim era algo que precisava ser vidido por nós dois. Não me pergunte "porque".
 
Essa separação foi de grande importância para me tornar hoje, quem eu sou. como quem vence um inimigo por fase no vídeo game, aos poucos minha postura foi se lapidando, meu corpo emoldurando, minha saúde voltando e minha psique desenvolvendo e se cobrindo de luz. 


Se era pra ser dolorido demais, tinha que me ensinar algo que eu jamais achei que existisse. E, ensinou.  não é bom vc simplesmente, não se lembrar de quem era antes de um determinado acontecimento da vida? e, adorar essa pessoa que é hoje? Hoje, ambos sabemos o quanto significamos um ao outro e ponto final ou reticências( quem somos nós pra prever o futuro?). Só que o foco é o presente!

Aprendi recentemente com um jovem ator, "alguém" que não passou despercebido por mim, e que me disse o seguinte: "O que é o silêncio pra vc? o silêncio nada mais é do que o tempo e vice-versa", fiquei refletindo e juntei meu pensamento: é também uma relação de lealdade, verdadeira. Não há motivos pra ter medo do tempo, da distância, do silêncio....!

Já adianto, a ignorância é uma benção, e você pode escolhe-la, fique a vontade, ok!?
Nossa mente tem um poder enorme sobre nós. Experiências, tombos, os anos... tudo isso não vem pra diminuir, vem pra somar; se está pesando nas suas costas, é porque você não está carregando direito. pense Nisso! 

Eu vou encerrar assim; minha vida hoje, é uma mochila! Escolho todos os dias o que quero por dentro dela; um emprego novo, meus estudos, minha família e meus amigos, meus desafios, liberdade, novos amores... e acima de tudo, não posso esquecer da minha coragem! ela(a mochila) estará oras leve demais, oras pesada demais... mas, sempre, sempre estará confortável! Porque quero fazer dessa minha andança aqui no planeta terra, a melhor oportunidade do meu espírito evoluir; e assim, um dia, chegar aonde realmente tudo vai ser como nos "contos de fadas", e aí sim,  poderei chamar de "Meu reino tão, tão distante". E ao invés de querer ser feliz pra sempre, vou mesmo é querer estar em PAZ pra sempre!

3 comentários:

Analu Baby disse...

Beira o plágio de tão real.

Carol disse...

Ufa! Pelo menos um bom tempo de paz! Até que apareça algo que ameace e permita um colorido a mais a tudo isso!

boa sorte!

Desabafando disse...

Olha, apesar de te acompanhar aqui há um bom tempo e nao te conhecer suas palavras mexeram comigo e calaram fundo no meu interior. Acredita que de certa forma eu te entendo? e me identifico plenamente com seu desejo de crescer, evoluir, estar disposta a mudanças e acreditar em dias melhores.